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sexta-feira, 29 de junho de 2012

Jovem em Nova Orleans (Young in New Orleans)

faminto ali, sentado pelos bares,
e à noite andando pelas ruas por
horas,
a luz da lua sempre me pareceu falsa,
talvez ela fosse,
e no Bairro Francês eu assisti
aos cavalos e carroças passarem,
todos sentados nas carruagens
abertas, o condutor negro, e atrás
o homem e a mulher,
geralmente jovens e sempre brancos.
e eu era sempre branco.
e dificilmente encantado pelo
mundo.
Nova Orleans era um local para
se esconder.
eu poderia desperdiçar minha vida
sem ser incomodado.
exceto pelos ratos.
os ratos, em meu pequeno quarto escuro,
muito ressentiam por ter que o dividir comigo.
eles eram grandes e corajosos
e me olhavam com olhos
que expressavam
a morte
sem pestanejar.

mulheres estavam além de mim.
elas viam algo
depravado.
houve uma garçonete
um pouco mais velha que
eu, ela sorria um pouco,
demorava quando ela
trazia meu
café.

aquilo era bastante para
mim, aquilo era
suficiente.

havia algo sobre
aquela cidade, porém;
ela não deixava que eu me culpasse
por não sentir nada pelas
coisas que tantos outros
precisavam.
ela me deixou sozinho.

sentado em minha cama,
as luzes apagadas,
ouvindo os sons lá
fora,
levantando minha barata
garrafa de vinho,
deixando o calor da
uva
entrar
em mim
conforme ouvia os ratos
se movendo pelo
cômodo,
eu os preferia
aos
humanos.

ser perdido,
ser louco, talvez
não seja tão ruim
se você puder ser
assim
sem ser perturbado.

Nova Orleans me deu
isso.
ninguém nunca disse
meu nome.

sem telefone,
sem carro,
sem emprego,
sem
nada.

eu e os
ratos
e minha juventude,
uma vez,
daquela vez
eu soube
mesmo por meio do
nada,
era uma
celebração
de alguma coisa; não de
fazer,
mas apenas
saber.

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