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domingo, 9 de setembro de 2012

Transporte em filmes (Transport in films)

Transporte em filmes (Transport in films) - J. B. Priestley - A Tradução Livre

Ninguém menciona isso – mas o que me encanta mais no mundo irreal dos filmes é o seu transporte, tão diferente do nosso. Essas disposições e meios de transporte parecem a mim muito mais fascinantes do que os rostos e figuras das estrelas femininas. A viagem no mundo dos filmes é tão calma, pontual, rápida e fácil. Aqui no mundo real, onde objetos são tanto pesados quanto maldosos, nós nos movemos com dificuldade. Nossos carros se recusam a dar a partida – ou, quando dão, tremem e nos sacodem. Táxis nem sempre são encontrados, e quando são, geralmente se comportam mal. Trens estão frequentemente atrasados tanto na chegada quanto na partida. Uma vez em operação, eles fazem barulho e rugem e podem nos causar dor de cabeça. Os navios, na maior parte das vezes, zarpam algumas horas depois da hora própria; eles cheiram à tinta, repolho, óleo protetor e água de esgoto; eles tremem e rolam e lançam; e chegam na noite de quinta-feira ao invés da manhã de terça-feira. Quanto à viagem aérea, ela consiste na maior parte das vezes de longas esperas em barracões assombrados por charutos obsoletos ou em campos de pouso ventosos.
E sempre, por ar, mar ou ferrovia, há o tormento da bagagem, a maldade dos objetos pesados. Mas no fantasmagórico mundo dos filmes, carros ligam rapidamente, táxis aparecem prontamente, e todos eles deslizam para longe como gôndolas; trens chegam e partem em dois segundos; e tão logo qualquer personagem importante perambule por um aeroporto, aparece um conveniente avião a rugir, que abaixa suas escadas, traz o personagem para dentro, e decola antes que você possa dizer “Metro-Goldwyn-Mayer.” Exceto nos filmes cômicos, que estão mais próximos do nosso mundo real, problemas com bagagem não existem, enormes baús são magicamente projetados em distantes suítes de hotel. O que esses personagens dizem e fazem ao final de uma viagem geralmente não me inspira nada além de um escárnio azedo. Eu não os invejo por seus casos de amor, o trabalho que eles nunca fazem, a diversão que supostamente eles têm, suas roupas e suas festas, o lombo assado e o pudim gelado que eles pedem mas nunca comem. Mas eu me encanto com seus meios de transporte que são feitos da mesma essência na qual são feitos os sonhos...

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